Garçom, a conta



Gosto de ver bons exemplos. Eles me inspiram. Sei que muitos gestos como esse ainda acontecem, embora não tanto quanto deveriam. Mas, concordo, ajudar nem sempre é fácil. Às vezes é mais fácil agravar mais a situação de quem precisa com ajudas constantes quando não atingimos o foco do problema. É a velha história de que devemos ensinar a pescar e não dar o peixe. Mas também a necessidade pode ser mais urgente que todas essas medidas politicamente corretas. E então, outro dia vi um comercial sobre quem costuma ter esse tipo de atitude e descobri que é ainda mais legal quando ajudam a quem ajuda.


Uma criança, sozinha, pedia em um sinal de trânsito, se deparando com o corriqueiro vidro fechado e olhares que não cruzavam os seus. Não quero aqui, entrar nos “méritos” de quem está dentro do carro e passa por isso todos os dias convivendo com o medo diário e não menos preocupante dos assaltos. Assim como também não vou falar exatamente daquela pessoa que está do lado de fora do carro, pedindo uma chance de mais um dia sem fome. Este também não é um texto para expor todos os problemas das ruas, que são muitos. Apenas tem o intuito de falar da cena que se segue.

Um homem na calçada chama o garoto para juntar-se a ele na mesa da lanchonete, pedindo ao garçom que lhe servisse um lanche que foi devorado com lágrima nos olhos... acho de ambos, embora as do homem não fossem tão visíveis ou tão doídas assim. Ao pedir a conta, o homem percebeu que sua generosidade não era única, e olhou para o dono do estabelecimento no balcão com um sorriso emocionado. Na caderneta com o valor do lanche apenas contava a frase “Não cobramos por humanidade”. Bom, meus olhos também ficam lacrimejados toda vez que revejo ou leio essa frase.

É bom acreditar em um mundo melhor. Era só um comercial, mas falam de pessoas reais. Só elas serão capazes de transformá-lo com simples atitudes. E eu me envergonho de tantas vezes ter a oportunidade de fazer o mesmo e simplesmente não fazer, com a desculpa de que isso não vai resolver o problema. Mas a verdade, é que tanto eu quanto muitos que estão lendo esse texto nos escondemos atrás de clichês como esse, que não deixam de ser verdadeiros, mas que te fazem ir para casa com a consciência tranquila para tomar seu banho quente, jantar, e deitar-se em uma cama confortável.

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