EDUCAÇÃO DE BERÇO



Quando eu era criança tive um grande herói. Alguém em quem me espelhar, alguém que eu queria ser. Cresci. Hoje ainda quero ser como ele. Acho que sempre vou querer, afinal, ele é o homem mais bonito, mais inteligente, mais forte, mais humano que eu conheço. Meu pai.


Não posso dizer quantas vezes me lembro de ter recebido dele, conselhos sobre a vida, maneiras de se portar, tratar seu semelhante, enfim, ser homem. Não por terem sido tantas que não consiga contar, ao contrário, tão poucas. Meu pai quase nunca precisou fazer uso de tudo que sempre julgou correto para nos ensinar vida afora, através de palavras. No meu caso sempre mirei em seu exemplo de vida, em tudo que ele é. Basta ser um bom aluno, observador, mas não se engane. Toda criança precisa de muitos “nãos” durante a sua vida, assim como também precisei.

O interessante disso tudo, é que você demora a se dar contar de que está aprendendo importantes lições, e é por isso que quem acompanha mais de perto o crescimento dos filhos tem um papel tão fundamental na educação. Eu tive a minha mãe (que, diga-se de passagem, sempre foi um exemplo de MÃE).

Foi ela quem sempre me ensinou a importância de ajudar em casa; que nenhum trabalho doméstico é exclusivo de mulheres; que é importante cumprir horários; cuidar das obrigações escolares sem precisar ser vigiado; que o dinheiro precisa ser suado e não dá em árvores; que os pais, as pessoas mais velhas, os professores, enfim, todos precisam ser respeitados. Que não se levanta a voz para falar com ninguém. Que, quando possível, não chame uma pessoa, vá até onde ela está e diga o que quer. Sinceramente não consigo me lembrar de quando apanhei, mas lembro-me de ter ficado muitas vezes de castigo. Mereci todos eles, meus irmãos também. Não sou revoltado, não me tornei vítima, tampouco achei que eu estivesse certo nem mesmo naquela época.

Hoje sou um homem tentando ainda me espelhar em meu pai e agradecendo todos os dias pela educação que minha mãe me deu. Casado, pai de um filho. E se hoje meu filho me vê trabalhando, tratando as pessoas com respeito, ajudando em casa em qualquer atividade doméstica possível, fazendo tudo com a naturalidade e alegria como deve ser, talvez ele queira ser como eu.

Felizmente, também tenho toda a ajuda da minha esposa na difícil missão de educar um filho e talvez eu só precise ser “o exemplo”. Um exemplo construído desde criança pelas mãos de pais que nunca conseguirei agradecer como deveria. Talvez nem precise. Eles também verão em seu neto, o fruto daquilo que plantaram em mim. E creio que não há gratidão melhor representada.

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