Além do esporte



Sempre enxerguei o esporte como um a fonte de inspiração. Um combustível capaz de nos levar à lugares que nunca imaginamos chegar, derrubar barreiras construídas por nós mesmos como limite à nossa própria capacidade e descobrir que corpo e mente em equilíbrio são quase imbatíveis. Um equilíbrio que quase sempre está em evidência graças ao desejo de vencer em nome do esporte, ou de qualquer outra coisa que possa estar por trás do real significado da disputa.

Ainda que você não seja um telespectador assíduo, ou não tenha uma modalidade preferida, um dia desejou estar lá, representando sua escola, cidade, Estado ou país. Talvez nem sonhar ir tão longe e apenas representar a si mesmo tentando ser o melhor. O esporte traz consigo essa magia. Quando se está competindo, não importa o prêmio, importa a vitória, e ela pode ter vários significados. Muitas vezes não se trata de ser o primeiro.


Já vi muito disso no esporte, tenho certeza de que você também. Há uma lista de nomes e façanhas que ficam na memória, e acho que sempre vou me lembrar de três desses momentos eternizados pela sua grandiosidade e significado. Eles sempre voltam à tona (felizmente) para nos fazer pensar que algumas coisas estão muito além do esporte.


Em 1936, nos Jogos Olímpicos de Verão na Alemanha nazista, um jovem negro americano mostrou sua superioridade levando 4 medalhas de ouro no atletismo. Foi o primeiro duro golpe contra o racismo, não só no regime hitlerista, mas também no próprio país. Jesse Owens teria dito, mais tarde: “É verdade que Hitler não me cumprimentou, mas também nunca fui convidado para almoçar na Casa Branca”.

Em 1976, nos Jogos Olímpicos de Montreal, Canadá, uma jovem de apenas 14 anos fez o “impossível”. A romena Nadia Elena Comãneci saiu dos jogos com 5 medalhas, três delas de ouro. Sei que nada disso parece absurdo, e não foi. A não ser o fato, é claro, de ter conseguido pela primeira vez na história, uma nota dez. Bom, na verdade foram sete notas “10” no total. Ela conseguiu por sete vezes, ser a atleta perfeita, a ginasta perfeita, movimentos perfeitos. Algo tão impensável que o próprio placar não estava preparado para receber tantos caracteres, exibindo um confuso “1.00”. Pode?


Já em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, EUA, a suíça Gabriele Andersen participou da maratona. Não chegou em primeiro. Sequer ganhou alguma medalha. Mas venceu. Superou todos os limites do corpo, e com mente “sã”, terminou... em último. Todos já devem ter visto, em algum momento, essa cena reprisada. Uma mulher desidratada, cambaleando em direção à linha de chegada, ladeada por paramédicos que a ampararam depois do último passo... depois da “vitória” ao som de aplausos de um estádio inteiro.


É amigo... Algumas coisas vão além do esporte e ficam para que possamos aprender com tudo isso. Então, diante disso, eis o que realmente vi em nesses três casos:

*Ainda existe o preconceito (de todas as formas) e julgamos “o melhor” pelas aparências.

*O ser humano pode ser perfeito, mas o mundo não está preparado para isso.

*Para vencer não é necessário chegar em primeiro, apenas chegar no seu tempo, e esse é o tempo certo.


Isso é só esporte... Mas também poder ser uma lição de vida.


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