A viagem



Acho que eu tinha uns oito anos... E como toda criança, o tempo, ou as coisas ao nosso redor, parecem ter uma proporção diferente. Como em uma grande viagem, por exemplo. Assim, quando meu pai decidiu nos levar à praia pela primeira vez, aquilo tudo pareceu ser uma grande aventura rumo ao desconhecido, enfrentando um longo caminho (especialmente para meus parâmetros infantis) de incertezas, mas no fundo eu sabia que tudo ia dar certo. O combustível nunca iria acabar; nós jamais nos perderíamos para sempre; e qualquer desconforto causado pela viagem não habitual, seria resolvido. Meu pai estava na direção, no comando, e nada poderia dar errado. E não deu. Depois de alguns dias, a grande aventura terminou e voltamos para casa...


Então a gente cresce e percebemos como tudo aquilo era simples, inclusive a maior das lições. Naquele tempo, ou melhor, naquela idade, era sim, um grande desafio. Tudo era obstáculo, mas eu não tinha medo. Meu pai conhecia o caminho; ele sempre soube o que havia no final da estrada e por fim, sabia que valia a pena. Tudo que eu precisava era confiar e dar os meus passos quando fosse necessário.

Naquela viagem tudo era novo, uma nova chance de aprender, às vezes me arriscar, andar sem precisar dar as mãos por um, quase infinito, caminho de areia. Molhar os pés em uma água estranhamente salgada, me aventurar sozinho mar adentro, engolir quase toda água e aprender a lidar com quem é mais forte. E então eu descobri que mesmo com toda sua grandeza, eu podia encarar o gigante azul de gosto desagradável... E no fim, nos demos muito bem.


Hoje, pensando em tudo isso, vejo como pode ser bem mais fácil levar a vida segundo os princípios de uma criança. Elas são sábias, eu sempre disse. Não importa o tamanho do problema que enfrentam, não importa onde a vida irá levá-las, elas confiam no pai (entenda-se, pai ou mãe) porque sabem que ele está sempre no comando, sentem que ele está por perto mesmo quando não estão segurando a sua mão.

Então logo penso que qualquer semelhança à Deus Pai, não é mera coincidência. Ele conhece a estrada por onde percorremos. Se, às vezes, ela lhe parece cheia de buracos, curvas acentuadas, com um trânsito intenso demais, lembre-se de que Ele é quem dirige, e vai nos levar ao lugar certo, no tempo certo. Você só precisa confiar e aproveitar a viagem que chamamos de vida.

Lembre-se do seu passado, mas não viva nele; planeje o futuro com alegria, mas deixe-o à uma distância segura; se apegue ao presente como a única coisa que realmente temos e não podemos deixar escapar. Afinal de contas, no fim da viagem, veremos que tudo valeu a pena. E quando a viagem acabar, no fundo, só estaremos voltando para casa.

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