A dor e o amor


Às vezes, algumas frases ficam marcadas no tempo. Frases ditas no calor de um acontecimento, frases quase jogadas ao vento, ou frases meticulosamente elaboradas para causar o efeito desejado naqueles que às ouvem. O fato é que muitas delas ficam... E nos fazem pensar, refletir... Muitas nos remetem a histórias simples, mas relevantes. Como uma de Trystan Owen Hughes, teólogo cristão, historiador e autor, nascido no Reino Unido, País de Gales. Fica difícil não relacioná-la à história que se segue. Então ela se torna ainda mais grandiosa e profunda.

Um homem acabara de sofrer um grave acidente de carro, e se encontrava em uma cama de hospital. Estava com diversos ossos fraturados e com dores por todo o corpo. Apesar da gravidade do acidente, ele não corria risco de morrer. Diante de todos os males causados pelo acidente, o que mais lhe incomodava naquele momento, era a dor. Era aguda e quase constante, por vezes aliviada pelos medicamentos.


Era um homem comum. Não era rico, nem pobre. Tinha um emprego do qual nunca se queixava, mas também não via grandes benefícios oriundos do seu ganha-pão. Tinha uma boa família, gozava de boa saúde. Não considerava sua vida maravilhosa, mas nem tão ruim assim. Se alguém lhe perguntava se ele era um homem feliz, ele dava de ombros. Ele nunca dizia que estava tudo bem, apenas normal. Normal. Muito normal. Só vivendo. Ou melhor, como ele mesmo gostava de dizer... “Vou indo”.


Mas depois do acidente, poucos dias de hospital, horas de dor que pareciam intermináveis, ele percebeu o que realmente tinha, e o que realmente estava acontecendo à sua volta. Ele sentiu o amor de sua família sempre presente, sempre ao seu lado. Lembrou-se de que isso sempre o acompanhou, assim como a saúde que sempre tivera; o emprego “normal” que nunca lhe faltou; as caminhadas “normais” três vezes por semana que fazia por prazer; sua casa “normal”, um lar de verdade; seu carro “normal”; as peladas de domingo com os amigos... O amor que sentia por tudo isso e tudo mais que envolvia sua vida bem “normal”.


A rotina nos faz esquecer de que tudo é um presente, uma dádiva. Até o bem estar constante se torna algo quase indesejável, chato, fácil de ser esquecido como “bem”. Então fica fácil responder: Vou indo. E quase todo mundo acaba se sentindo assim. Por isso achei genial a curta frase de Trystan que resume vários exemplos como esse, onde ele apenas diz:


“A dor pode nos fazer lembrar que estamos vivos, e o amor nos faz lembrar por quê”.


É ou não, algo que nos faz pensar?


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